11 de fevereiro de 2013

Viver no Presente

Viver no presente é o melhor presente que nos podemos dar. É a forma mais equilibrada de levar a vida. 
Viver no presente é viver em consciência - no AGORA - sem que a cabeça esteja constantemente a viajar no tempo, entre o passado e o futuro. 

Quantas vezes andamos em "piloto automático" e não nos lembramos de ter feito qualquer coisa há poucos minutos atrás? 
Deixamos a mente, que mente, divagar sobre aquilo que se passou ontem, sobre a discussão que tivemos a semana passada, ou uma situação menos alegre há anos atrás. Variando com pensamentos sobre aquilo que se vai passar amanhã na reunião, naquele evento importante daqui a um mês, ou no que estarei a fazer daqui a anos.  
Andar para trás e para a frente "mastigando" acontecimentos do passado e antecipando acontecimentos futuros, traz muita ansiedade e desequilíbrio. 
Esse desequilíbrio traz outras consequências, incluído os tão chatos ataques de pânico, pelos quais eu infelizmente (ou felizmente!) já passei.

Focar-nos no presente é um hábito que deve ser treinado. Não acontece de um momento para o outro. É uma aprendizagem na qual se vai evoluindo.

Para ajudar nesse treino existem várias ferramentas:
  • Meditação
    A meditação é provavelmente a ferramenta mais trabalhosa que refiro aqui.
    Algumas pessoas têm mais dificuldade em manterem-se concentradas e quietas durante algum tempo a trabalhar a mente. Requer paciência e amabilidade connosco, pois pode ser incomodo ao inicio e os resultados vão aparecendo com uma prática frequente.

    Ferramentas mais imediatas:

  • Respiração
    Esta é a minha preferida porque é perfeita, pois está SEMPRE connosco e tem efeitos imediatos.
    Toda  a nossa vida ouvimos alguém dizer: "calma, respira!". Eu achava que essa frase era um cliché, pois eu só pensava: "Respiro? Mas a respirar estou eu!".
    Esse conselho tem muita razão de ser, o problema é que a maioria de nós não sabe respirar.

    Com o stress diário, a agitação e a ansiedade, nós vamos ficando mais tensos, mais acelerados, ansiosos e por isso respiramos de acordo com esse estilo de vida. Respirações mais curtas, menos profundas e menos espaçadas. Ou seja, respiramos pelo peito. É o peito que "sobe e desce".
    Já observaram um bebé a respirar? Ou um animal quando dorme? Eles respiram profundamente, calmamente e pela barriga. É a barriga que se mexe, "sobe e desce".
    Respirar pela barriga é a forma correcta de respirar.

    Para ajudar neste exercício podemos colocar as mãos sobre a barriga, assim torna-se mais fácil perceber se estamos a respirar correctamente. Quando inspiramos é a barriga que se deve encher e não o peito, quando expiramos é a barriga que se deve esvaziar e não a zona do peito.
    Fazer este exercício calmamente, deitados, sentados ou de pé em qualquer lugar é uma boa forma de nos acalmarmos e nos focarmos no presente.
    Quando me sinto mais nervosa ou ansiosa uso-a. Às vezes antes de adormecer também gosto de fazer o exercício.

    Ouve a respiração, concentra-te nela. Respira calma e profundamente. Se começares a bocejar em poucos segundos é comum e bom sinal, estás a relaxar. É genial!

  • Observar o presente
    Sempre que sinto a mente a dispersar demasiado ou me sinto nervosa e ansiosa, uso perguntas básicas para me manter "aqui" e "agora". Respondo às perguntas e aceito a resposta seja ela qual for. Por exemplo:

    - Como está a temperatura do ambiente?
    Quente? Fresca? Amena? É bom? É mau? - Ok! 

    - Como está a luz?
    É natural? É artificial? É amarela? É azul? - Ok!

    - Como está o sabor dentro da minha boa?
    É doce? É amargo? Está seca? - Ok! 
    (esta é fantástica, porque na maioria das vezes que me faço esta pergunta tomo consciência que tenho a boca seca e preciso de água, e nem reparava!)

    - Que coisas posso observar à minha volta? 
    - Como sinto a minha respiração?
    - Qual a parte do corpo que sinto mais intensidade agora?

    Com perguntas simples como estas, é fácil focarmo-nos imediatamente no presente, estejamos em casa ou na rua.
    Acontece muitas vezes que ao fazer-me estas perguntas repare em coisas que estavam à minha frente e eu nem as estava a ver ou a sentir.

  • Scan do corpo
    Nós temos um corpo que é uma maquina maravilhosa, vivemos dentro dele toda a nossa vida mas não lhe ligamos nenhuma a maioria do tempo.
    Acontece-vos estarem aflitos para ir à casa de banho ou com fome, mas estão tão concentrados no trabalho que não ligam nenhuma aos sinais do corpo? Ele pede-vos que realizarem as vossas necessidades básicas e vocês ignoram? Imensas vezes, aposto.
    É por isso que é tão importante fazer várias pausas durante o dia, e fazer um scan ao nosso corpo. Ele é perfeito e avisa-nos de TUDO aquilo que precisa, o problema é que nós não temos o habito de o ouvir.

    Este exercício consiste em aliar a respiração correcta, à tomada de consciência do nosso corpo.
    Imaginem um scan que vai passando lentamente pelo corpo e analisando cada pedaço. (Se ajudar podem fechar os olhos). O scan pode começar pela cabeça. Conforme ele vai passando, nós vamos sentindo cada parte do corpo.
    É normal que durante o exercício, quando estamos focados numa parte do corpo, sintamos que ele nos responde - com espasmos, arrepios, sensação de formigueiro, qualquer coisa.

    É natural também que descubras por exemplo, que estás com ligeiras dores musculares nas pernas e nem te tinhas apercebido. Se assim for, é o teu corpo a pedir-te que sejas gentil com elas. Massaja-as por exemplo.

    O nosso corpo tem a resposta para TODAS as nossas perguntas. Todas! Sejam elas quais forem.
    Apetece-vos carne ou peixe?
    Parem. Escutem o corpo. Ele vai responder o que precisa, se de carne ou de peixe. Ou de nenhum!
    Doce ou salgado?
    Parem. Respirem (correctamente). Imaginem o alimento doce. Depois o salgado. O vosso corpo reagiu a algum? - salivaram ao pensar no doce? relaxaram ao imaginarem-se a comer o saldado? sentiram que o corpo rejeitava os dois? - Então tens a resposta, é disso que ele precisa.
    O mesmo serve para decidires qualquer outra coisa. Imagina as duas situações. Concentra-te e o teu corpo diz-te a qual reage melhor.

Aliar estas ferramentas ao exercício físico é perfeito. É fundamental gastar energia para que o corpo faça uma reciclagem e recarregue com uma nova. Quando não o fazemos, o corpo entra em desequilíbrio.

Estas são algumas das ferramentas que conheço e uso para me manter no presente. Conhecem mais? Partilhem. Eu adoro aprender ferramentas novas.


9 comentários:

  1. Bom post.
    Boas referências!
    Sim muitas vezes somos preguiçosos e não ouvimos o corpo. Bela partilha, espero que "ajude" mais pessoas :D

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  2. Ora aí está uma coisa que eu desconhecia... a parte da respiração pela barriga! E não é que resulta mesmo?

    Tens que continuar a escrever mais textos deste tipo. Adoro lê-los. =)

    (Deixo-te aqui uma "prendinha" http://www.theminimalists.com/vday/ para o caso de não seguires o blog desse sr. Já deves conhecer o livro por referências no blog da Rita, mas caso não conheças talvez queiras dar uma vista de olhos. ;) )

    **

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    1. Resulta sim, é extraordinário. Não necessita de grandes técnicas, e é acessível a todos.

      Vou tentar escrever mais sobre isso, sempre que tiver novidades ;)

      Já tinha dado uma vista de olhos nesse blog mas confesso que não lhe dei uma atenção mais profunda. Mas agora vou estar mais atenta.

      Obrigada ;)

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  3. Na mosca! :D Sabes, também concordo contigo na ambiguidade do "infelizmente ou felizmente já tive ataques de pânico". É bom conhecê-los e até conseguirmos já distingui-los. Assim como é óptimo saber evitá-los. E é disso que trataste aqui :) Vou partilhar ;)

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    1. há que ver o copo meio cheio , não é?
      ;) go, go, go

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  4. Eu ando a tentar a meditação, mas é mesmo difícil!Bjs

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    1. Vou fazer um post sobre o tema. Cheguei à conclusão que é mais fácil do que parece. Pode ser que ajude ;)

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